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Procuradores da Lava Jato em São Paulo pedem demissão coletiva

Eles argumentam 'incompatibilidades insolúveis com a atuação da procuradora Viviane de Oliveira Martinez', que assumiu as atividades no grupo em março

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Sete procuradores da república da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo apresentaram nesta quarta-feira (2) um pedido de desligamento coletivo ao procurador-geral da República, Augusto Aras.

No documento enviado à PGR, os sete procuradores pedem para serem desligados dos trabalhos na operação até o final deste mês e argumentam “incompatibilidades insolúveis com a atuação da procuradora natural dos feitos da referida força-tarefa, Dra. Viviane de Oliveira Martinez”, procuradora natural que assumiu as atividades do grupo em São Paulo no mês de março.

Pediram demissão, com as datas de desligamento, os seguintes procuradores:

  • Guilherme Rocha Göpfert: a partir de 08/09/2020
  • Thiago Lacerda Nobre: a partir de 08/09/2020
  • Paloma Alves Ramos: a partir de 11/09/2020
  • Janice Agostinho Barreto Ascari: a partir de 30/09/2020
  • Marília Soares Ferreira Iftim: a partir de 30/09/2020
  • Paulo Sérgio Ferreira Filho: a partir de 30/09/2020
  • Yuri Corrêa da Luz: a partir de 30/09/2020

“Os membros ora signatários vêm solicitar – pelas razões expostas à Corregedoria-Geral do Ministério Público Federal no âmbito da Sindicância nº 1.00.002.000060/2020-17 (Ofício 1259/2020 – PRR3a-00022502/2020), relativas, em síntese, a incompatibilidades insolúveis com a atuação da procuradora natural dos feitos da referida Força-Tarefa, Dra. Viviane de Oliveira Martinez – seus desligamentos da Força-Tarefa Lava Jato de São Paulo, com a consequente revogação de suas respectivas designações”, diz o ofício.

O pedido de demissão do grupo acontece um dia depois do anúncio da saída de Deltan Dallagnol da coordenação da Operação Lava Jato em Curitiba. Entre os procuradores que assinaram o pedido de desligamento estão Janice Agostinho Barreto Ascari, Guilherme Rocha Göpfert, Thiago Lacerda Nobre, Paloma Alves Ramos, Marília Soares Ferreira Iftim, Paulo Sérgio Ferreira Filho e Yuri Corrêa da Luz.

No pedido de desligamento, os sete procuradores se colocam a disposição da PGR para “um período de transição para adotarem providências finais a parte dos casos que vinham sendo conduzidos” pela equipe em São Paulo.

Reclamações

Em outro documento enviado ao Conselho Superior do Ministério Público Federal, os integrantes da força-tarefa em São Paulo afirmaram que, assim que assumiu o cargo, Viviane de Oliveira Martinez “não teve qualquer iniciativa no sentido de chamar reuniões para compreender quais as linhas de investigação que vinham sendo conduzidas, de trabalhar no gabinete em que os demais integrantes da Força-Tarefa trabalham (e que conta com computador e mesa para tanto), e chegou mesmo a retirar parte da estrutura de servidores que existia, à época de sua antecessora, para auxiliar nos trabalhos da Lava Jato”.

Os procuradores também reclamam que Viviane “nunca participou de reuniões com advogados e com colaboradores”, “não participou de qualquer audiência judicial pertinente a casos da Força-Tarefa” ou “de um único despacho com juízes ou de uma única reunião com delegados de Polícia Federal, para tratar de casos da Lava Jato”.

“Não bastassem essas omissões, em dado momento a atual titular do 5º ofício passou a adotar ações que, na prática, foram criando obstáculos ao trabalho que vinha sendo desenvolvido”, afirmaram os sete procuradores no ofício enviada ao Conselho Superior do Ministério Público Federal.

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A Lava-Jato em São Paulo é, no momento, uma das grandes frentes de investigação do MPF sobre casos importantes de corrupção descobertos pela Lava-Jato no Paraná e que acabaram desmembrados e enviados ao Estado. Ao todo, 126 procuradores fazem parte dos quadros da Procuradoria em SP, distribuídos em 31 unidades no Estado, entre elas a sede na capital. O PGR Augusto Aras tem sido criticado por parte dos procuradores da Lava Jato desde que afirmou, em um debate,que os rumos de parte do Ministério Público Federal “devem ser corrigidos para que o que chamou de lavajatismo dentro da instituição seja superado”. Ele também classificou a operação em Curitiba como ” uma caixa de segredos”.