O samba e a cultura da região de Araraquara estão em luto. Morreu na manhã desta quinta-feira (17), o sambista Carlos Alberto do Amaral, conhecido carinhosamente como Lobão, aos 66 anos.
Amaral, carinhosamente chamado de Lobão, é lembrado como um músico que transformou sua arte em instrumento de luta contra a discriminação racial e em favor da valorização da cultura preta. Sua trajetória se confunde com a própria ascensão de Araraquara como polo do samba e do pagode no interior paulista.
Nos anos 1980, Amaral fundou o grupo que viria a se tornar os Magnatas do Pagode, responsáveis por projetar Araraquara nacionalmente. O sucesso da música Doce Mania, gravada em coletânea com o Só Pra Contrariar, consolidou o nome da cidade no mapa do samba brasileiro.
FUTEBOL E BATUCADA
Antes da fama, Lobão já unia paixão e cultura: liderava a torcida Ferrochopp da Ferroviária, estruturando uma batucada que chamou atenção de clubes tradicionais e abriu espaço para o samba nos carnavais locais.
Além dos Magnatas, Amaral criou iniciativas como o Futuro do Samba, o Circuito do Cabral e o Samba de Bamba, sempre com o objetivo de manter viva a tradição do samba de raiz e abrir portas para novas gerações de músicos negros.
A partir de 2019, também se destacou como chefe de cozinha, sem nunca abandonar suas raízes musicais, mostrando que sua arte se expandia para além dos palcos.
Em dezembro de 2023, recebeu da Câmara Municipal de Araraquara o Diploma de Honra ao Mérito, sendo celebrado como baluarte da cultura e da luta contra o racismo.
A história de Lobão é um testemunho de resistência, talento e legado. Ele não apenas fez música, mas pavimentou caminhos para que outros sambistas pudessem brilhar.

VELÓRIO E SEPULTAMENTO
A cerimônia de despedida do músico será realizada nesta quinta-feira, 17 de setembro, nos seguintes locais e horários:
Velório: Das 14h às 17h15, na Sala Lírio do Rio, no Lírios Cerimonial.
Sepultamento: Às 17h30, no Lírios Cemitério Parque, em Araraquara.
(Texto: Eduardo Soranso)