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Nos finais de semana de maio, Araraquara não é a mesma sem a Festa dos Machados

Festa de Nossa Senhora de Fátima, no bairro dos Machados, é uma das mais tradicionais quermesses da cidade

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Festa dos Machados é um tradicional evento religioso realizado no mês de maio em Araraquara

As quermesses e festas religiosas estão enraizadas na alma das famílias araraquarenses. Eventos de grande aglomeração, eles sentem o impacto da pandemia. No ano passado, foram canceladas em sua maioria.

Nos próximos meses, começam a pipocar as datas dos santos que remetem às festas juninas e julinas.  E bate aquela saudade das quermesses. Uma delas, que abre a sequência de festejos no município, é a Festa dos Machados, que tradicionalmente ocorre nos finais de semana de maio.

Frangos assados salpicando nas mesas, filas intermináveis salivando por saborosas kaftas, pastéis, porções de mandioca frita, leilões e sorteio de quartos de leitoa assada. Essas são algumas imagens que alimentam a memória sobre a Festa de Nossa Senhora de Fátima, no bairro dos Machados.

O tradicional evento religioso evento ocorre há quatro décadas e reúne todas as camadas sociais de Araraquara. O bairro dos Machados fica na região Sudoeste de Araraquara e é delimitado pelos rios do Ouro, Chibarro e Jacaré. É cortado pela vicinal Abílio Augusto Correa e fica próximo às rodovias Washington Luiz e Comandante João Ribeiro de Barros.

O local possui duas áreas com realidades diferentes. Enquanto às margens da vicinal o progresso transforma a cena, com asfalto, muros, casas, igreja, comércio e indústria, a outra região, cujo acesso é feito por uma estrada estreita de terra e britas, preserva a identidade rural e o bucolismo dos Machados. São lotes afastados, onde pessoas ainda se dedicam à lavoura e à criação de animais.

Sobre a história dos Machados, não há muita coisa escrita, mas há informações em uma dissertação de mestrado em Ciências Sociais, de Marilia Coelho, datada de 1991, intitulada “Bairro dos Machados: entre o sonho e a realidade”, trabalho orientado pela Professora Doutora Dulce Whitaker.

A história do local pode ser contada a partir do século 19, quando sua área integrava a Sesmaria do Ouro. Quando Araraquara ainda era a Freguesia de São Bento, recebeu a denominação de “Saltinho”. No final desse século, uma família de imigrantes portugueses, de sobrenome Machado, adquiriu a terra para o plantio de café. Outros colonos vieram de Portugal para trabalhar na lavoura. Com a queda do preço do café no mercado, os Machados foram à falência. Por ser uma família honesta, como revela Otávio de Arruda Camargo na dissertação de Marília Coelho – “os Machados eram pessoas simples, honestas e queridas” –, deram terra aos colonos como pagamento.

Enquanto os homens se dedicavam à lavoura, as mulheres dividiam suas vidas entre a roça e os afazeres domésticos. Uma das características da colônia de portugueses era o mutirão para a realização de casamentos, festas juninas e colheita do arroz.

A Festa de Nossa Senhora de Fátima, a popular Festa dos Machados, ganha espaço na localidade aos finais de semana de maio. O evento, que ocupa o entorno da capela de Nossa Senhora de Fátima, mantém as tradições religiosas, com missas, procissões e quermesses.

A capela faz parte da Paróquia Menino Jesus de Praga, que engloba ainda as capelas de São Cristóvão, no Quitandinha, e de São Miguel Arcanjo, no Campus Ville.

Em todos elas, e em todos os bairros da cidade, araraquarenses rezam e oram para que a vacina cada vez imunize mais cidadãos, para que as quermesses possam voltar, o mais depressa possível, a aquecer nossa alma e nosso coração.