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Vereadores cobram explicações sobre adesão do presidente da Câmara ao artigo 167-A

Rafael de Angeli é colocado na parede por vereadores que questionam decisão assinada por ele e pedem documentos, estudos técnicos e esclarecimentos sobre impactos da medida

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Vereadores afirmam existir “profunda preocupação institucional” em relação às consequências administrativas, financeiras e funcionais decorrentes da adesão"

Os vereadores Alcindo Sabino (PT), Fabi Virgílio (PT), Filipa Brunelli (PT), Guilherme Bianco (PCdoB), Maria Paula (PT) e Paulo Landim (PT), que formam o grupo de oposição da Câmara Municipal de Araraquara, protocolaram, nesta quinta-feira (21), um ofício solicitando informações e esclarecimentos sobre a adesão da Casa de Leis às disposições previstas no artigo 167-A da Constituição Federal. O documento foi apresentado após o presidente da Câmara, Rafael De Angeli, formalizar a assinatura da medida e comunicar a decisão aos parlamentares por e-mail.

No ofício, os vereadores afirmam existir “profunda preocupação institucional” em relação às consequências administrativas, financeiras e funcionais decorrentes da adesão. Segundo o documento, a decisão possui elevada repercussão constitucional e pode produzir efeitos diretos sobre a autonomia administrativa do Legislativo, além de impactar servidores, estrutura organizacional e o funcionamento da Câmara.

Os parlamentares destacam que a adesão não seria um ato meramente administrativo, mas uma medida capaz de impor restrições relevantes ao Poder Legislativo. Entre os principais questionamentos apresentados está o fato de a decisão ter sido formalizada, segundo os vereadores, sem apresentação prévia da íntegra dos estudos técnicos, pareceres jurídicos, impactos orçamentários e projeções administrativas relacionadas à medida.

No documento, os vereadores também demonstram preocupação com o contexto em que a adesão ocorreu. O texto menciona que o processo teria acontecido em meio a pressão administrativa do Poder Executivo, especialmente diante de um ofício que apontaria que a ausência de adesão da Câmara poderia dificultar a emissão de certidões necessárias para operações de crédito ligadas a programas como o SELESAN e o Novo PAC.

Ao todo, foram solicitados diversos esclarecimentos à Presidência da Câmara. Entre os pedidos estão a apresentação da fundamentação jurídica e técnica utilizada na decisão, envio de pareceres e estudos, cópia de eventual manifestação do IBAM, demonstrativos fiscais e informações sobre possíveis impactos para servidores, concursos públicos, cargos comissionados, reajustes salariais e funcionamento dos gabinetes parlamentares.

Os vereadores também questionam a afirmação presente no comunicado da Presidência sobre a existência de um “entendimento construído de forma coletiva entre os parlamentares”. No ofício, pedem informações sobre a existência de votação formal, atas, reuniões ou qualquer instrumento institucional que comprove a aprovação da maioria dos vereadores à adesão.

O QUE PREVÊ O ARTIGO 167-A

O artigo 167-A da Constituição Federal foi incluído por meio da Emenda Constitucional nº 109/2021 e estabelece mecanismos excepcionais de ajuste fiscal para Estados, Distrito Federal e Municípios. O dispositivo pode ser acionado quando as despesas correntes ultrapassam 95% das receitas correntes em um período de 12 meses.

Nessas situações, passam a ser permitidas medidas de contenção de gastos, incluindo restrições à criação de cargos, realização de concursos públicos, concessão de reajustes, criação de benefícios e ampliação de despesas obrigatórias.

Em comunicado encaminhado aos vereadores, Rafael De Angeli afirmou que a adesão foi adotada diante do cenário fiscal enfrentado pelo município e classificou a medida como necessária para possibilitar operações financeiras consideradas importantes para a continuidade administrativa. O presidente declarou ainda que a decisão não foi unilateral, mas construída com diálogo interno, consultas técnicas e respaldo da maioria dos parlamentares.

Agora, os vereadores aguardam os esclarecimentos solicitados e a apresentação da documentação técnica que embasou a decisão tomada pela Presidência da Câmara.

O QUE É SELESAN

O SELESAN (Sistema de Seleção em Saneamento) é um sistema do Governo Federal brasileiro, gerenciado pelo Ministério das Cidades, para o apoio a processos seletivos de projetos de saneamento básico voltados a entes públicos e prestadores públicos de serviços. 

Ele funciona como uma plataforma digital que desburocratiza e otimiza o fluxo de cadastramento, envio e seleção de propostas de investimentos em áreas como: 

• Abastecimento de água potável
• Esgotamento sanitário
• Manejo de resíduos sólidos
• Drenagem e manejo de águas pluviais urbanas 

Como funciona:

Os municípios ou prestadores de serviço enviam suas propostas e cartas-consulta de investimentos através do sistema. O Ministério avalia as propostas, filtrando apenas aquelas com viabilidade efetiva de contratação.

Após a aprovação no SELESAN, as entidades seguem para a contratação dos recursos e operações de crédito com agentes financeiros (como a CAIXA ou outros bancos autorizados).

COMO FUNCIONA O NOVO PAC

O Novo PAC é um programa de investimentos coordenado pelo Governo Federal em parceria com estados, municípios, movimentos sociais e iniciativa privada. O objetivo principal é acelerar o crescimento econômico, gerar emprego e renda, e reduzir desigualdades regionais por meio de obras e ações estruturantes em todo o território nacional. 

Para entender de forma prática como o programa opera, veja os principais detalhes estruturais:

1. Eixos de Investimento

Os recursos são direcionados a nove áreas prioritárias para garantir o desenvolvimento sustentável e social: 

Inclusão Digital e Conectividade: Expansão da internet banda larga e 5G.
Saúde: Construção de Unidades Básicas de Saúde (UBS), policlínicas, maternidades e renovação da frota do SAMU.
Educação, Ciência e Tecnologia: Construção de creches, escolas de tempo integral e ônibus escolares.
Infraestrutura Social e Inclusiva: Esporte, cultura e habitação (como o programa Minha Casa, Minha Vida).
Transição e Segurança Energética: Investimentos em energias renováveis e hidrogênio verde.
Transporte Eficiente e Sustentável: Rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias.
Infraestrutura Urbana: Mobilidade urbana, saneamento básico e contenção de encostas.
Água para Todos: Segurança hídrica e revitalização de bacias.
Defesa: Equipamentos e estratégias de monitoramento e proteção. 

2. Como Funciona o “PAC Seleções”

O PAC Seleções é uma modalidade específica do programa onde estados e municípios enviam propostas diretamente ao Governo Federal para receber aportes financeiros.

Nota da Redação:
• Araraquara para ter acesso aos investimentos já teria projetos definidos destacando as prioridades e valores previamente carimbados para uso exclusivo do que haverá de ser feito?
• Estaria assegurada a aplicação do valor emprestado no projeto em questão, bem como, impedido o uso do recurso num formato de desvio para outra finalidade?
• Há parecer favorável do Tribunal de Contas mencionando a legalidade da transação?