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Trabalhador em restaurante e lanchonete agora passa fome

Por Ivan Roberto Peroni

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Se a crise econômica por conta do coronavírus não atingiu todos os setores, diríamos que faltou muito pouco, mas, ninguém está sofrendo mais que os restaurantes, lanchonetes, bares e os hotéis. Uns mais, outros menos. Mas na passada da régua desta conta, falaria o garçom, somos nós que estamos passando por privações.

Há casos em que estes atendentes ligam para os amigos ou pessoas em melhor situação para pedir ajuda. Chegam a se humilhar por uma cesta básica, comida para ser sincero, quando sabemos da ironia deste destino que agora abandona quem sempre levou comida às mesas dentro de uma casa de gastronomia.

É fato que o coronavírus existe e teria sido loucura reabrir as portas deste setor da economia com gente morrendo por todos os cantos. Mas, o que a gente fala é do despreparo do governante tratando inicialmente a Saúde Pública com desmazelo, relaxo, as vezes de forma criminosa, deixando pessoas morrerem nos corredores dos hospitais.

Não é preciso a sociedade ter uma pandemia para verificarmos que almas empedernidas têm assumido o poder. Se a Saúde, item primordial para que sejamos uma cidade com qualidade de vida, no começo da praga não tinha sequer equipamentos de proteção para os que trabalham em unidades hospitalares, como ajudar agora um simples garçom a se manter se a sua profissão está se extinguindo com seu local de trabalho de portas fechadas?

Olha que os nossos governantes – aqui falamos de todos: federal, estadual e municipal, tiveram tempo de olhar o mundo e ver que o circo estava pegando fogo há meses na China e Itália. Debocharam do vírus e entenderam que a desgraça seria o que cada um precisava para fazer campanha e se sustentar no poder em ano eleitoral. Não apenas isso, aproveitaram a onda dos gastos e compras sem licitações para roubar, corromper, desgraçadamente tripudiar sobre os mortos estendidos em cemitérios.

Se de fato vem pelas mãos da divina providência essa pandemia para mostrar que esses desalmados têm de nós tirado o sustento, como é o caso do garçom, da garçonete, fica na consciência do político inoperante o peso das mazelas cometidas e o castigo a ser lhes dado por alguém que acima de nós está.

Da fila da mendicância em que trabalhadores são humilhados certamente vamos retirar exemplos e lições de vida, entendendo primeiro o preço que nos será cobrado não pelo garçom que nos traz a conta, pois este é puro e silencioso pela missão decente que cumpre para sustentar a família. Falamos de exemplos que ainda nos amargam das lava-jatos, dos mensalões, dos superfaturamentos gerados em construções de rodovias até a roubalheira na aquisição dos respiradores tirando o ar daqueles que estão à beira da morte.

*Ivan Roberto Peroni, jornalista e membro  da ABI, Associação Brasileira de Imprensa

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR