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Feliz Futuro 2020

Por Luís Carlos Bedran

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É costume em dezembro fazer um balanço de tudo aquilo que ocorreu durante o ano todo, não somente para reavivar a memória, mas também como registro histórico. Se isso é importante ou não, se as boas recordações devem ser rememoradas e as ruins excluídas, tudo dependerá apenas da vontade daquele que o faz, se não tiver outros objetivos práticos.

Mesmo porque aquilo que fez parte do passado serve apenas para tentar “olhar o futuro”, isto é, prever o futuro baseado naquilo que já ocorreu, ou seja, a partir da História. Foi o que disse o consagrado historiador Eric Hobsbawn no ensaio “A História e a previsão do futuro”. E que considera uma atividade necessária, mas muitas vezes decepcionante.

O que importa agora é sempre o presente, que também, a cada momento e a cada instante em que o vivemos, torna-se passado. Já o futuro não deixa de ser puro exercício de imaginação, mas faz parte do espírito do homem esperar que tudo de bom possa acontecer para a nossa felicidade.

Para Rousseau “a espécie de felicidade de que preciso não é tanto fazer o que quero, mas não fazer o que não quero”; para Kant, “é a satisfação de todas as nossas inclinações, em extensão, em grau e em duração”.

Já Heidegger entende de modo diferente: que “o caráter precípuo da existência humana é a preocupação”. Para ele, “a felicidade não existe, pois viver significa preocupar-se, estar em situação de necessidade, de ‘cura’, que exige um esforço, um trabalho de nossa parte para ser enfrentada e superada e que ela deve ser buscada dentro da condição humana que sabemos imperfeita e insuficiente”.

Imaginar como será o futuro é próprio do espírito humano, que nem sempre consegue conformar-se com o que se passa no presente e, por isso mesmo, sempre espera um porvir melhor. Dessa forma o homem, com base em sua própria experiência de vida, vasta ou não, ou com as informações que porventura tenha sobre os acontecimentos do passado, pode ter algumas condições de tentar direcionar sua vida fazendo planos a procura da felicidade.

Pois, na verdade, o fim último de nossa existência, não é senão a busca da felicidade. Isso não quer dizer, no entanto, que essa razão de ser ou de existir, sempre possa ser consciente. No mais das vezes nem tomamos conhecimento disso, nem importa, mesmo porque o que vale mesmo é viver, tentar viver plenamente, sem nos aprofundarmos tanto sobre tais problemas existenciais, mais a cargo dos filósofos, dos cientistas ou dos escritores de ficção científica.

O futuro é a grande incógnita; raras são as pessoas que não se preocupam com ele; da morte sim,muitas têm medo, pois esta é inevitável. Apesar de a grande maioria, se for saudável, pouco se importa com a Parca, pois espera que nunca chegará para elas.

Os pensadores sempre procuraram inventar fórmulas para melhorar a humanidade, como Tommaso de Campanella, na “Cidade do Sol”; Thomas Morus, na “Utopia”; Platão, na “República”; escritores, como George Orwell, em “1984”, Aldous Huxley, no “Admirável Mundo Novo”; os de ficção científica, como Ray Bradbury, em “Fahrenheit 451”; Robert Heinlein, em “Um Estranho numa Terra Estranha”; Isaac Asimov, no “Eu Robô”; H.G. Wells, em sua “Máquina do Tempo”. E, mais recentemente, Margareth Atwood, em sua sociedade distópica, como no “O Conto da Aia” e em “Os Testamentos”.

Com a atual e impressionante revolução tecnológica ocorrida desde meados do século passado, também os cientistas fazem previsões futurísticas, de acordo com alguns dados da realidade. Não parecem ser otimistas. E um dos mitos mais tradicionais convencionados pelo homem, é o de se comemorar a passagem do tempo, pois a morte de um ano significa vida para o próximo. Tecem-se loas à vida futura, pois o passado não tem futuro. Já era. E o que aconteceu, aconteceu; quem viver, verá. E é isso que sempre procuramos: por uma vida melhor, com muita paz e tranquilidade para se poder aproveitá-la plenamente.

Apesar de tudo, nada como ter esperanças, embora alguns pro- gnósticos sejam impossíveis ou difíceis de se realizar. Como a paz universal, como a eliminação dos preconceitos, como a melhoria de vida para o povo brasileiro e também para o mundo todo.

Então, caríssimos leitores e queridas leitoras, um feliz futuro para todos nós em 2020.

**Luís Carlos Bedran, é sociólogo e cronista da Revista Comércio,Indústria e Agronegócio de Araraquara

** As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem,necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR