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A colecionadora Isabela Martinez apresenta suas relíquias

Caçadora incansável de antiguidades, Isabela Lupo Nascimento Martinez sabe exatamente a história de cada peça que tem em sua casa.

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Isabela e um antigo bule que foi presenteado por dona Itália Secondino Barbosa

Isabela conta que seu marido Ivan Torquato Martinez, tinha uma tia chamada Nair, que não tinha filhos e quando faleceu há cerca de 10 anos, deixou uma série de pertences a eles, entre as várias peças que herdaram, vieram alguns bules. “Eu, como sempre gostei de coisas antigas, achei tudo lindo e resolvi continuar a coleção, pois já havia recebido alguns também herdados da avó de meu marido, ai comecei então a ir atrás de brechós” – afirma ela.

Expostos em sua casa tem cerca de 40 bules, fora os jogos completos que estão guardados. Um dos bules que faz parte de sua coleção ganhou de Dona Itália, que completa 98 anos em janeiro de 2020, peça esta que Itália ganhou de presente de casamento. “Dona Itália é pura ternura, é uma das melhores pessoas que conheci em toda minha vida e este bule tem um grande valor sentimental” diz ela.

Parte da sua coleção de bules; à direita a cristaleira com chaleiras em seu sítio

A colecionadora diz ainda gostar muito de chaleiras e tem em seu sítio chaleiras de toda a família. “Minha sogra tinha algumas chaleiras, me lembro que uma delas morava em cima do fogão a lenha. Ela era italiana, cozinhava muito bem e quando ela faleceu me deram as peças que as coloquei no sítio como enfeite, pois acho muito bonito”, relembra Isabela.

Bules, canecas e açucareiros

“Eu gosto de tudo que é antiguidade, sou chegada a um brechó, mas muitas peças vieram parar em minhas mãos ao acaso. A família de meu marido guardava as coisas, já minha mãe não tinha este costume, se era velho, jogava fora”, diz ela.

CAÇANDO RELÍQUIAS

O telefone, uma das peças raras da sua coleção ao lado da cadeira que ganhou da madrinha Nereide Lupo; Bonequinhas russas; Os bules em Ágata parecem remeter aos tempos das fazendas; ao lado, a imagem da Sagrada Família que pertenceu ao maestro José Tescari

Para Isabela, tudo que é antigo tem uma história, muitas delas fascinantes; gosto do que elas representam” – afirma. Ela conta também que o que é para ser dela vai ser, “as peças vêm parar em minhas mãos, mas vou visitar a Liga Araraquarense de Combate ao Câncer (Lacca) quase que diariamente”, diz mostrando dois bancos franceses de Jacarandá que havia garimpado na instituição, e que já tinham passado pelas mãos de um restaurador.

O rádio da marca Semp traz recordações da sua infância

Isabela sabe décor o nome de todos os restauradores da cidade, além, de alguns de fora de Araraquara. Conhecedora de todo o comércio de ferro velho da cidade, usou de seus conhecimentos para reaver um postinho de luz de ferro fundido muito antigo, que foi furtado de uma casa da família em reforma. “Geralmente roubam e vendem em um ferro velho mais próximo, fui até lá e consegui de volta” – afirma indignada com a receptação de produtos roubados.

As máquinas fotográficas do avô Edmundo Lupo

Em sua cristaleira mantém imponente uma sagrada família que pertenceu ao Maestro José Tescari “quando a casa foi vendida, ganhei de José Eduardo, neto dele, fiquei emocionada com o presente”- diz mostrando a imagem já restaurada. Entre as peças centenárias, guarda a primeira e a última máquina fotográfica do avô aviador Edmundo Lupo.

Entrar em seu apartamento é caminhar pela história, resgate de cristais e pratarias que o tempo insiste em presenteá-la, transformando o ambiente em grande sala de visitas como nas fazendas antigas. Mais do que bules e chaleiras, Isabela Martinez coleciona histórias.