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Refletir sobre as verdades

Por Paulo Saab

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Algumas verdades não estão sendo ditas ou estão sendo camufladas.

É preciso refletir sobre elas. São verdades que eu vejo. Minha responsabilidade.

Vou enunciar. O leitor forma sua opinião. Aliás, esse é o papel da imprensa que aprendi nos bancos acadêmicos e na prática de 40 anos de jornalismo político diário, em rádio, tv e jornal. Hoje, principalmente, após a vitória de Bolsonaro, “jornalista” questiona em vez de perguntar. Não aceita a resposta e quer réplica, tréplica, até sua opinião (dele, perguntador) se tornar uma tese vitoriosa.

Vamos refletir sobre algumas verdades:

-Jair Bolsonaro é, no exercício da presidência, o mesmo que era quando ainda simples parlamentar e como foi durante a campanha eleitoral.

Isso ofende o sistema. Alexandre Garcia lembrou que Color bajulava a imprensa antes de se eleger. Após a posse esticava a mão para o interlocutor cumprimentá-lo sem se aproximar como se tivesse se tornado uma divindade. Ou prevendo pandemia. Se fosse mago teria previsto sua própria queda.

-A eleição de Bolsonaro quebrou a espinha dorsal de um sistema de poder instalado no estado brasileiro e exercido pelos governos anteriores, de cumplicidade para a manutenção e benefícios dos membros do sistema.

-O pensamento então dominante não aceitou a derrota, não absorveu o repúdio da maioria à sua forma de dominação sob o título de governança.

-A chamada mídia de massa tinha no período das gestões de Lula e Dilma um cardápio de publicidade oficial que alimentava seu faturamento de forma a não precisar esforço maior para a obtenção de patrocínios gigantescos que davam a esses veículos forte faturamento e, por consequência, apoio velado ou ostensivo ao governo de então.

-Essa mesma mídia, onde pontificam (hoje espumando ódio) os veículos Globo, a Folha de São Paulo, a Veja, O Estadão, Isto É, Época e tantos outros, sentiu o baque da queda brutal do faturamento, com os cortes determinados por Bolsonaro, e viraram:

  1. a) caixa de repercussão de toda e qualquer manifestação, por mais inexpressiva ou idiota, de membros da esquerda, aliados de ocasião ou de ideologia, contra o “usurpador” que ousou vencê-los nas urnas.
  2. b) fabricantes de pautas exclusivamente destinadas a gerar matéria possível de aproveitamento para críticas, ironias, depreciação, ridicularização, de tudo que se refere ao presidente e integrantes de sua equipe. E, ainda, tentando transformar em pessoas sem consciência do que fazem, as que votaram em Bolsonaro e ainda o apoiam.

-O STF, antes um vetusto e respeitado órgão, de fato Supremo, respeitado e venerado, tornou-se nos estertores dos governos corruptos de esquerda um Tribunal exposto pelo “mensalão” e pela “lava Jato”, à opinião pública, pelo televisionamento de suas sessões. Os “ministros-juízes” viraram celebridades. E, além do caráter ideológico de seus indicadores para o cargo (a maioria atual por Lula e Dilma, também por FHC e até o primo de Collor) surgiu o componente “vaidade”. Cada voto tornou-se um pesadelo de aula de juridiquês e exibição dos juízes perante a população.

-Esse mesmo STF, embevecido pela notoriedade conquistada, tornando seus ministros balões inflados de egos infinitos, decidiu ocupar também espaço na governança e, extrapolando suas funções, sua compostura e, mesmo o autorrespeito, entregou-se à prática de além de julgar processos, editar leis e governar onde a Constituição, que deveria defender, diz que é ato exclusivo do Executivo. Ou do Legislativo.

-O Congresso Nacional, que não se renovou o suficiente em 2018, também, muito mais pela oportunidade e pela vaidade, mas também, em defesa dos benefícios que o sistema gerava ao parlamento, entusiasmou os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e o do Senado, Davi Alcolumbre, a tentarem voos mais altos, tornando-se, cada um a seu jeito, primeiro-ministro autonomeado para também governar o país em vez de legislar.

-Os partidos de esquerda, derrotados nas urnas, inconformados com a perda do poder, do acesso aos cofres públicos e revoltados com a rejeição de sua dominação de valores inversos aos da maioria dos brasileiros, tornaram-se palanques de continuação das eleições, num inexistente terceiro turno, contando com o apoio do STF para impedir o governo eleito de governar.

-A esquerda em geral, sem verbas públicas, desarticulou-se e se dividiu. O que os unia, o caixa do tesouro nacional, fez diluir a aliança oportunista, apoiada pela determinação lulopetista de não renunciar à hegemonia de dominar a aliança.

-E então veio a pandemia. No nosso subdesenvolvimento político, onde não existem interesses nacionais, mas os de cada grupo ou facção do sistema, surgiram, na visão egoísta de muitos, oportunidades de ouro para seus objetivos inconfessáveis. Em nome de proteger a saúde do povo, atos, normas, decretos, imposições inomináveis, que fariam genocidas de verdade parecer um escoteiro ou coroinha de igreja, respaldados pelo STF e pelo Congresso Nacional, transformaram o país num pandemônio, onde o império da lei está subvertido pelo império do desrespeito aos dispositivos constitucionais.

Tem mais, tem muito mais, mas a população está vendo.

Cada um forme seu juízo. Se minha verdade estiver errada, exercitarei minha capacidade de ser dócil diante das evidências.

Por enquanto, o que vejo e precisa ser objeto de reflexão, claro, em linhas gerais, é esse.

Dentro de casa, preso, quem viver verá.

Palpite de quem acompanha a cena nacional há décadas: desobediência civil a caminho… como a esquerda odeia a classe média e esta está cansando, e a classe mais pobre está começando a passar fome de verdade, a saída vai ser jogar as polícias (formadas pelas classes pobre e media) contra a população que quer, ou melhor, precisa, trabalhar?

*Paulo Saab, jornalista, bacharel em Direito, professor universitário e escritor

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR