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Bicicleta combate sedentarismo e muda a vida de araraquarenses

Além de proporcionar novas aventuras, ciclismo vira remédio contra doenças durante a pandemia

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União dos grupos Tribo dos Peba de Araraquara com ciclistas de Borborema

Pedalar é um exercício aeróbico, mas também ajuda no fortalecimento de músculos. Auxilia ainda na saúde do coração, reduz o estresse, melhora na respiração, ajuda no equilíbrio… São inúmeros os benefícios do ciclismo para a saúde física e mental das pessoas.

Em Araraquara, a adesão à bicicleta foi grande no ano passado, crescendo mês a mês. Tanto que chegou a faltar bikes e peças em algumas lojas. Vários grupos se formaram, com famílias inteiras pedalando pelas vias e trilhas da cidade e região.

Josiane Patrícia (de rosa) começou a pedalar durante a pandemia

A técnica de enfermagem Josiane Patrícia Correia Ribas, 39, começou há cerca de 8 meses, no início da pandemia, convidada pela cunhada. Com o tempo, formaram um grupo e fizeram até camisetas. “Mudou muito meu dia a dia. Tenho mais disposição e mais ânimo para fazer exercícios físicos. Hoje eu me sinto muito melhor”, avalia.

Rozangela encontrou no pedal um novo estilo de vida

Manicure e depiladora, Rozangela Oliveira, 44, também entrou para a “turma do pedal” no início da pandemia. Ela conta que se sentia presa em casa, sem poder fazer nada. “Não podia ir para a academia e ficava em casa só comendo. A princípio não tinha companhia, até que tomei coragem e chamei um amigo pelo Instagram e ele começou a ir comigo. Logo em seguida, várias pessoas, que viam meus stories, começaram a ir comigo”, revela.

Ela explica que a bike proporciona muitas aventuras e muitos ensinamentos. “Hoje faço parte de uma equipe, a ‘Chama na Dorfa’. Somos mais de 80 integrantes no grupo e eles são minha família, meus amigos”, acrescenta. E convida: “Se você tem dificuldades pra começar, só nos procurar no Facebook ou Instagram e teremos o maior prazer em acolher você com amor e carinho”.

PEDALANDO EM FAMÍLIA

Boris (à direita), com a esposa Sheila e o filho Jonas: bicicleta inserida no dia a dia da família

Profissional da Segurança do Trabalho, Boris Alarcon, 53, fez do ciclismo uma atividade em família. Com a esposa Sheila e o filho Jonas, ele planeja metas e trajetos cada vez mais ousados, abraçando o ciclismo como estilo de vida.

Ele conta que desde a infância era adepto a atividades físicas, seja andando de bicicleta, jogando futebol, caminhando, mas as facilidades do mundo moderno, como moto e carro, aliadas à pandemia e seu consequente isolamento, o deixaram cada vez mais sedentário. Foi nesse cenário que decidiram pedalar.

No início, ainda no começo de 2020, emprestaram duas bicicletas de um amigo e, junto com outras famílias, ingressaram no grupo de ciclistas ‘Tribo dos Peba’.

“´Íamos algumas vezes por semana. Começamos com 10km, depois 15 km, empurrávamos a bike na subida, parávamos para descansar e tomar água… Com a pandemia, em março, definimos que queríamos entrar de cabeça nesse novo estilo de vida. Compramos bicicletas novas, aro 29, e aumentamos a frequência”, explica Boris.

Ele explica que, por segurança, sempre saem em grupo e equipados com capacete, óculos, luvas e roupas próprias para a atividade. “Os trajetos seguem algumas trilhas rumo ao Distrito de Bueno e cidades vizinhas, como Rincão e Santa Lúcia. Na bagagem não pode faltar água, banana, bombinha e kit pneu furado”, acrescenta.

SANTO REMÉDIO

Boris faz uma prece à bike: gratidão pela qualidade de vida que ela proporciona

Com a ‘Tribos dos Peba’, a família Alarcon segue de bike por vários trajetos, rumo a lugares pitorescos junto à natureza como cachoeiras, represas, lagoas e pedreira na região. Há alguns pontos de referência em cada percurso, como postos e padarias para fazer um “pit stop”.

“Ganhamos muito em qualidade de vida. A imunidade melhora com a exposição ao sol, vento, chuva, ar puro… Tudo isso faz bem para a saúde, cria uma resistência natural no organismo”, analisa Boris.

Ele informa que no grupo, atualmente com cerca de 100 membros, de todas as idades – incluindo uma senhora de mais de 80 anos –, há casos de pessoas em que a prática do ciclismo curou problemas de saúde, como bronquite, asma e depressão. “A vibração positiva e o carinho do grupo também ajudam. As pessoas se sentem acolhidas. Somos uma grande família”, conclui.

MALHA CICLOVIÁRIA URBANA

De acordo com levantamento da Coordenadoria da Mobilidade, a malha cicloviária de Araraquara abrange sete quilômetros e setecentos e trinta de dois metros (7,7 km) no perímetro urbano.

A ciclofaixa na Avenida Abdo Najm, no Parque Residencial São Paulo, é mais extensa da cidade com 1,57 km. Em segundo lugar, a ciclovia na Rua José Palamone Lepre, no Jardim Paraíso, atinge 1,5 km e a ciclovia no bairro Quitandinha, no entorno do Campus Ville e do Campus da Unesp, possui 1,4 km.

Já a ciclovia na Avenida Antônio Honório Real, no principal corredor do Vale do Sol, atinge 1,2 km. Enquanto a ciclofaixa, compartilhada com a calçada, no Parque das Hortências, na Rua Synésio Wyss Barreto, tem 1,1km. Implantada na Avenida Alberto Tolói, a ciclofaixa, também no Quitandinha, abrange 942 metros.

NOVA CICLOFAIXA

A Prefeitura também está construindo uma ciclofaixa que ligará o Parque São Paulo, até a Avenida Abdo Najm (Parque Gramado), num investimento de R$ 200 mil.