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Em defesa ao Promotor de Araraquara o Ministério Público ameaça processar hacker

Condenado por falsificação de documento em ação proposta pelo promotor Marcel Zanin Bombardi, em Araraquara, o hacker Walter Delgatti Neto, o “Vermelho” comparou sua prisão a de Lula – injusta, durante entrevista na CNN . Esta semana o Ministério Público do Estado de São Paulo em nota saiu em defesa do promotor e diz que poderá fazê-lo responder por calúnia na esfera judicial.

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Walter Delgatti Neto, o hacker "Vermelho"

Walter Delgatti Neto, o “Vermelho” — que ficou conhecido como o hacker de Araraquara, após ter divulgado conversas privadas de procuradores como o ex-juiz Sergio Moro, no meio de 2018, está de volta às páginas dos principais jornais brasileiros, após ter dado na semana passada entrevista ao programa CNN Séries Originais.

Uma semana após a entrevista o Ministério Público de São Paulo em nota diz “ter tomado conhecimento, pela imprensa, de acusações formuladas contra um promotor de Justiça pelo senhor Walter Delgatti Neto, hacker preso por invadir aparelhos celulares para se apropriar de mensagens de agentes públicos envolvidos na Operação Lava Jato e de ministros do STF. Até agora, o hacker não apresentou qualquer evidência de que os atos atribuídos ao membro da instituição tenham de fato ocorrido, conduta que pode fazê-lo responder por calúnia na esfera judicial. O MPSP esclarece ainda que o senhor Delgatti jamais formalizou pelos canais oficiais a denúncia que ora vem a público e parece querer transformar em vítima aquele que, em 2017, foi condenado por falsificação de documento em ação proposta pelo referido promotor, em Araraquara. O MPSP se pauta pela legalidade e acredita na atuação funcional de seus membros, sempre à luz das responsabilidades que a condição de integrantes da instituição lhes impõe”.

VERMELHO COMPARA SUA PRISÃO A DE LULA: INJUSTA

Durante a entrevista, segundo Delgatti, o foco da operação Lava Jato sempre foi o ex-presidente Lula. “O foco era o Lula, mas os empresários, também, e outros políticos, ou diretores da Petrobras que eles mantinham presos até a pessoa falar. Exemplo: o Léo Pinheiro. Eles falavam: ‘Se ele enviar, fizer a delação e não falar do Lula, não será aceita’. Tinha conversa assim.”

Nega, contudo, interesse político na divulgação. “No começo não [tinha interesse político]. Quando eu vi o que fizeram com o ex-presidente Lula, que eu vi que era uma injustiça e entendi que ele estava preso como eu fiquei preso em Araraquara, eu pensei. Exemplo: o fato que o prendeu não existe. Foi a mesma coisa que fizeram comigo.”

A injustiça que Delgatti se refere foi sua prisão em Araraquara após ser condenado por falsificar documentos, o que motivou a manifestação do Ministério Público do Estado de São Paulo que saiu em defesa do promotor público Marcelo Zanin Bombardi que pediu a condenação de “Vermelho”. A propósito os envolvimentos de Delgatti com a Justiça em Araraquara ocorreram no período de 2015 a 2018.

Daí ser o promotor de Araraquara Marcel Zanin Bombardi, a primeira vítima do hacker, preso posteriormente como suspeito de invadir celulares de autoridades brasileiras; segundo pessoas que tiveram acesso ao seu depoimento, disse que, a partir dos contatos do aparelho do promotor, Vermelho teve acesso a outros números de autoridades. As informações são do Estadão.

A invasão ao celular do promotor de Araraquara teria como motivação o fato de Vermelho ter sido denunciado por ele, em um caso envolvendo tráfico de drogas [ele tinha em casa medicamentos proibidos, mas entrou na lei de entorpecentes].

NOTA DO MINISTRO

Também por se sentir atingido com as declarações do hacker na entrevista o ministro Luís Roberto Barroso informou, por meio de nota da sua assessoria de imprensa, que jamais instalou o aplicativo Telegram e, consequentemente, nunca teve conversas com os procuradores por essa plataforma. Para Barroso, trata-se de “informação falsa”. Eis a íntegra:

“O ministro Luís Roberto Barroso nunca teve o aplicativo ‘Telegram’ e, consequentemente, jamais conversou com alguém utilizando essa plataforma. O Ministro jamais prestou qualquer auxílio a procurador da Lava Jato sobre o que colocar em alguma peça. Mais que isso, ele nunca sequer conversou com qualquer procurador da Lava Jato sobre mérito de processos da competência deles. Trata-se de informação falsa.”