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Preço da cesta básica araraquarense registra alta de 5% em outubro

Desvalorização do real frente ao dólar eleva custos de insumos agrícolas, pressionando os preços praticados no varejo

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Aumento no preço da batata chegou a 61%

A cesta básica araraquarense voltou a apresentar alta no mês de outubro. Na comparação com setembro, a inflação ficou concentrada nas categorias de alimentos, que registrou variação de 5,8%, e de limpeza doméstica, com diferença de 3,4%. Já os valores dos itens de higiene pessoal se mantiveram praticamente inalterados, com diferença de -0,04%.

De acordo com levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara, o valor médio da cesta básica em outubro de 2020 atingiu R$ 699,40, com alta de 26% na comparação com o mesmo período do ano passado, equivalente a R$145,32. No acumulado do ano, a cesta registra alta de 13%.

A apuração das variações mensais revelou também que 22 dos 32 itens analisados ficaram mais caros em outubro, enquanto os dez restantes apresentaram redução de preço. Entre os produtos que mais encareceram, destacam-se a batata (61%), a cebola (20,5%) e o óleo de soja (18%). Já as maiores quedas ocorreram no preço do acém (-6,1%), do alho (-2,3%) e do molho de tomate (-1,8%).

Evolução mensal no preço médio das principais altas registradas – outubro de 2020Fonte/Elaboração: Sincomercio Araraquara

Segundo Marcelo Cossalter, pesquisador do Sincomercio, a produtividade nos campos é fator determinante para preços praticados nos itens do hortifrúti, alinhado às condições climáticas de cada período. Entretanto, outro fator tem atuado como componente importante na determinação desses preços.

“A forte depreciação do real frente ao dólar tem atuado como incentivo aos produtores de grãos a direcionar sua produção para o mercado externo, o que reduz a quantidade ofertada desses alimentos internamente e pressiona os preços para cima. A depreciação cambial também encarece os insumos agrícolas, o que eleva os custos de produção e age para encarecer os preços praticados no varejo”, aponta.

Para o pesquisador, isso ocorre devido à relação direta entre o preço dos fertilizantes e outros importantes insumos com o dólar. E apesar do custo da mão de obra no campo ter se mantido praticamente inalterado ao longo do ano, a valorização da moeda norte-americana eleva os gastos dos hortifruticultores. Necessários, protocolos de segurança e adequações exigidas por órgãos reguladores constitui outro fator que encarece os custos durante a produção.

“No geral, o aumento nos preços de itens essenciais da cesta de consumo dos brasileiros é o principal desafio para as famílias equilibrarem o orçamento doméstico. Nessa direção, a estratégia para economizar pode ser a procura por alimentos alternativos aos tradicionalmente consumidos e outras fontes de proteína animal e carboidratos. A pesquisa entre os supermercados ainda é a melhor forma de adquirir itens mais baratos, uma vez que as promoções praticadas atingem diferentes produtos ao longo do mês, oferencendo ao consumidor a oportunidade de adquiri-los com preço inferior ao dos concorrentes”, orienta Marcelo.

Nota Metodológica – A Pesquisa da Cesta Básica é uma parceria do Sincomercio Araraquara e do Núcleo de extensão em Conjuntura e Estudos Econômicos, do Departamento de Economia da UNESP/FCLAR. É realizada semanalmente em oito supermercados de Araraquara, analisando as variações de preços de 32 produtos de Alimentação, Higiene Pessoal e Limpeza Doméstica.