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Gato também sofre com o isolamento?

Felino pode ser "na dele", mas a presença do tutor em casa o dia inteiro é capaz de afetar seu comportamento, diz veterinária

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Lamber excessivamente o corpo e miar muito podem ser sinais de estresse

O isolamento social recomendado devido à pandemia de coronavírus mudou a rotina de todos os brasileiros. E também de seus animais de estimação.

De acordo com Wanessa Beheregaray, coordenadora do curso de Medicina Veterinária da UniRitter e integrante da Comissão de Ensino do Conselho de Medicina Veterinária, cães e gatos podem sofrer com estresse e ansiedade durante e após o período de quarentena. Ela enfatiza que não há um padrão: alguns mudarão de comportamento e outros não, bem como alguns se adaptarão às mudanças mais rapidamente do que outros.

Ao comparar a dificuldade de adaptação entre cachorros e gatos, Wanessa explica que não existe uma forma de definir qual deles sofre mais com a situação:

— Têm aqueles (gatos e cachorros) que acompanham os tutores dentro de casa o tempo inteiro e os que são mais independentes, é o temperamento de cada um.

No entanto, ela alerta que animais que já demonstram dificuldade de adaptação quando, por exemplo, são levados em viagens, precisam de uma atenção maior, pois tendem a sofrer mais — ficando mais agitados ou mais sonolentos. Wanessa também salienta que mesmo que os gatos tenham um comportamento mais individual, não estão imunes ao estresse.

— Gatos têm um comportamento noturno, normalmente dormem de dia e ficam acordados à noite. Ter o tutor em casa o dia inteiro pode afetar o comportamento do animal, pois esse não é o hábito dele — afirma.

A FATA QUE UM PASSEIO FAZ

Entre os fatores que mais estressam os cães, está a alteração na rotina de passeios — que têm sido evitados ou reduzidos —, pois é o momento em que o pet pode gastar energia. Segundo Wanessa, para animais mais ativos é necessário criar um roteiro de atividades e brincadeiras dentro de casa, para que eles possam se distrair e, assim, controlar a ansiedade.

Com a redução das atividades físicas, a veterinária chama a atenção para outro problema: o sobrepeso.

— Temos de ter cuidado principalmente com os animais que têm tendência a engordar, porque eles podem estar comendo mais. É preciso adequar a quantidade de comida e cuidar para não dar petiscos extras o tempo todo — alerta.

SINAIS DE MUDANÇA E DICAS DE ALIVIO

Entre os sinais de estresse, ansiedade e até mesmo depressão, é possível citar alterações como: lamber excessivamente as patas ou o corpo, miar muito, recusar comida, orelhas baixas, ficar em um canto e recusar interação, não sair de perto do tutor de jeito nenhum, perda de pelo e, em alguns casos, vômitos.

A veterinária Wanessa Beheregaray diz que, se o tutor achar que o pet está agindo de uma forma diferente, o ideal é falar com um veterinário, de preferência que já conheça o animal, ou, em alguns casos, ligar para alguma clínica e levá-lo em uma emergência.

Para minimizar o estresse, a veterinária cita alguns truques como a escovação, que pode agradar e acalmar tanto gatos quanto cachorros. Também destaca que é importante manter o animal ativo e estimular brincadeiras, mesmo que dentro de casa. No caso dos gatos, eles gostam muito de brincar com bolinha e de brincadeiras com a luz, que o tutor pode fazer com a lanterna do celular no escuro.

Quando o período de isolamento acabar, alguns animais podem ficar deprimidos com a normalização da rotina do tutor e decorrente afastamento. Wanessa comenta:

— A relação humana com os animais é linda, e temos que tirar bastante proveito disso durante essa crise que estamos vivendo.