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Já criado em Araraquara o plano “meu viaduto, minha vida”

Periferia da cidade entregue ao Deus dará, torna-se irremediavelmente reduto da miséria com o ser humano levando a vida do jeito que ela quer

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Sofá, colchão, fogão e a iluminação feita pela natureza

Quando imaginamos que já vimos de tudo na vida, ledo engano. Cada dia ela nos causa uma surpresa. Aquilo que também víamos nos grandes centros urbanos – morar em baixo da ponte – convicto de que jamais seria situação precária do interior, agora já temos bem perto dos nossos olhos.

Com direito a sofá, colchão e um fogão improvisado montado por tijolos, lá está o ser humano a repousar, privilegiado pela luz natural que é proporcionada por um luar escoltado nas noites estreladas. Até parece que a proposta do autor desta ideia se trata de uma intervenção pessoal que tenta colocar valor em espaços degradados.

Longe de ser verdade, quem passa pelo viaduto que liga a Vila Xavier à Rodovia SP 255, imagina que para o morador, isolar-se em um local assim, é uma forma de recuperar as sensações primitivas do ser humano e a necessidade de um “tempo” da correria da cidade”.

É óbvio que quem busca abrigo e acaba estabelecendo sua moradia embaixo de uma ponte ou de um viaduto em países subdesenvolvidos vive em situação de calamidade e precisa urgentemente de iniciativas sociais para sobreviver, mas justamente por pensarmos no atual cenário político de onde deveriam vir tais iniciativas, é melhor a classe média brasileira já ir se acostumando a contar com a sua própria “criatividade” daqui pra frente…