
O sonho de Cláudio Malagone era ter uma banda de rock. Convidou então os garotos Felipe e Eduardo e também o seu professor de violão Luís Rosário, que na época não era lá muito fã de rock, para formar uma banda. Felipe acabou desistindo da ideia, mas Anderson e Gilmar entraram para o grupo. Na fase de escolha do nome, Luís Rosário narra no detalhado diário da banda, que sonhou com sua avó e madrinha Belmira, a qual lhe deu sempre muito apoio em todos os seus passos.
Foi graças a Dona Belmira que Luís, ainda criança, começou seus estudos de violão. Então rendendo justa homenagem a Dona Belmira, todos do grupo concordaram em dar o seu nome à banda. Tempos depois passaram a grafar o nome com “y”: Belmyra.

Logo a Banda Belmyra passou a fazer os seus ensaios na Escola de Música Harmonia, montada pelo Luís, que ficava na Rua Gonçalves Dias 606, com os seguintes músicos: Luís Rosário – guitarra base e também vocal; Eduardo Augusto T. C. Almeida – bateria; Anderson Ilho – guitarra solo; Gilmar Berguelli Piza – contrabaixo; Cláudio E. Malagoni – vocal.
Todas as canções do repertório eram autorais com letras e músicas do talentoso Luís Rosário.
Os ensaios foram progredindo até que finalmente no dia 24 de julho de 1998, a banda fez a sua primeira apresentação no “Pê de Pizza”, uma pizzaria que ficava na Rua 9 de Julho e contou com a presença de amigos.
Curioso é a formação da banda que além de provocar o fortalecimento de uma já bela relação de amizade dos seus componentes, os transformou em sonhadores.
COMEÇO DA HISTÓRIA

A primeira apresentação, lembram os músicos, foi divina. Tanto é que os amigos acabaram deixando no Diário da Banda algumas mensagens que até hoje são guardadas com muito carinho.
-“Gostei muito do som, valeu por ter conhecido vocês”. Leonarda H. M. Delfini.
– “Muito louco!!! Cleber E. P. Alves.
– “Vocês estão de parabéns!! Nota 10!!” Rodrigo Daniel Caetano.
Assinaram também, ainda que sem mensagens, José Luís Hortenci Júnior, Carolina H. Jorge e Felipe Berger.

A segunda apresentação que ocorreu num domingo, dia 2 de agosto de 1998, recebeu ainda mais elogios rendendo a primeira reportagem da Banda Belmyra, feita pelo jornal “O Imparcial”, primeiro órgão de imprensa a nos divulgar, conta Luís Rosário.
A banda seguiu nos seus ensaios e apresentações, ficando cada vez mais afiada, caindo no gosto da galera que passou a seguir o grupo. Belmyra então foi tomando consciência dos seus erros e acertos, adquirindo uma dose de experiência.

Em março de 1999, Luís alugou uma pequena casa por R$ 50,00 mensais para os ensaios; com isso, mudou a grafia do nome da banda e também do seu nome, para Luys. Posteriormente, a banda passou a ensaiar em um novo estúdio junto ao Centro Cultural Toque, com possibilidades de ensaiar à noite sem incomodar os vizinhos.
As apresentações passaram a ser constantes em barzinhos, nas vias públicas do centro da cidade como na Avenida Duque de Caxias entre as Ruas 9 de Julho e São Bento, na Praça de Santa Cruz e na exuberante natureza do Parque do Pinheirinho. A banda também tinha presença garantida nos projetos musicais do Sesi, do Sesc como o Expresso Fanzine, da escola Opus Musicmania e do Centro Cultural Toque. Participou também como banda convidada, do I, II, VI e VII ARARAQUARA ROCK – bandas de garagem – realizados pela Secretaria Municipal de Cultura e FUNDART. A sétima edição em 2007 no Teatro de Arena, foi apresentada pelo radialista, compositor, jornalista, apresentador de TV e cantor de rock, Kid Vinil (Antônio Carlos Senefonte). Belmyra tocou ainda em encontros de motos, bandas de rock e desenvolveu projetos como Rock de Rua e Rock na Periferia sempre com o apoio da Comtur (Comissão Municipal de Turismo) e a participação de outras bandas como Funeral, Clã Aru e Corréra, entre outras. Realizou shows nas cidades da região e outras mais distantes como Mogi das Cruzes, no show de abertura do projeto Sesi Novos Talentos.

Luys Rosário no seu detalhado Diário de quatro volumes, discorre enfaticamente sobre a importância do amigo e empresário da banda, Luciano Pizzonni, nesse crescimento e sucesso alcançado pela Belmyra que a partir daí tornou-se muito conhecida.
O FIM DO CAMINHO
Durante a sua caminhada, a Banda Belmyra passou por alterações na sua formação (na maior parte com 4 músicos) e sempre manteve o repertório com músicas autorais, graças a inspiração do seu líder Luys Rosário, como em “Aposentadoria, “Mato da Calçada”, “Palestina”, “Conformismo”, “Povo Brasileiro” e tantas outras.Gravou dois CDs e lançou o caderno “Pegadinhas da Belmyra”, para registro das cenas hilariantes dos músicos e dos fãs. Desenvolveu um “website” e mantinha um cadastro dos seus seguidores para mandar mensagens e receber comentários das suas apresentações. Em dezembro de 2002 se apresentou no quadro musical “Novo Som Brasil” do Jornal Hoje da Rede Globo de Televisão, com as músicas “Aposentadoria” e “Palestina” em vídeo clipe gravado nos rios e cachoeiras do Hotel Fazenda Salto Grande. Se apresentou também no “Programa Vitrola”, da TV Cultura Paulista.

Suas músicas, rock nacional pesado, abordavam muito dos problemas sociais. Sintetizavam posicionamentos e reflexões sobre a realidade política, educacional e demais aspectos no drama cotidiano, objetivando uma transformação social de forma positiva.
A Banda Belmyra encerrou suas atividades em 2016.

Pesquisa e Texto: Juraci Brandão de Paula