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Inesquecível professora Iracema Nogueira

A música estava em suas veias, foi uma jovem empreendedora que estava à frente do seu tempo.

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O projeto das futuras instalações da Escola Municipal de Dança “Iracema Nogueira”, em anexo à Secretaria Municipal de Ensino e o auto retrato de Iracema Nogueira

Iracema Nogueira, de descendência portuguesa, nasceu em São Paulo, no dia 29 de agosto de 1921, e lá residiu, no bairro da Lapa até conhecer e se casar com o jovem araraquarense Militino Nogueira. Desse matrimônio nasceram três filhos: Marilene, Marcos e Mauro. Esses filhos lhe deram três netos: Paula, Rodrigo e Ricardo; e a bisneta Bianca.

Mudou-se para Araraquara depois de dois anos de casada, aos 22 anos, porque seu marido foi requisitado pelo pai para ajudar numa empresa de laticínios de sua propriedade.

A escola no passado

Iracema começou a dar aulas de piano, prática que exercia desde os seis anos de idade. Naquela época não tínhamos escolas formais de música, eram professores particulares que ensinavam na casa dos alunos. Ela estudou música em São Paulo, mas só veio a se formar em Araraquara, no Conservatório Dramático e Musical, mais conhecido como Conservatório Maestro Tescari, o primeiro da cidade.

A pianista sentia-se muito ligada a São Paulo e ia sempre à capital em busca de novidades na área da música e para receber orientações de grandes pianistas da época. A capital paulista era sua referência cultural.

A Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira na atualidade

Iracema era uma jovem empreendedora, estava à frente do seu tempo e inclusive, foi uma das primeiras mulheres em Araraquara a dirigir automóveis. Ela também tinha uma visão incomum para mulheres da época: ampliava a escola, comprava terreno, construía salões, até achar que tudo estava ao seu gosto.

SUA PAIXÃO ERA A MÚSICA

Tempos depois, a professora começou a promover intercâmbios com expressivos profissionais de música e balé clássico de São Paulo, que ficavam hospedados em sua casa.

Uma das primeiras preocupações de Iracema com a escola foi a regulamentação oficial do Ministério da Educação (MEC), que possibilitava oferecer aos alunos a formação como técnicos na área de dança e da música.

Da esquerda para a direita: Professora Iracema Nogueira, Srª Vitalina (sogra) e as cunhadas Matilde e Delta

O dom de Iracema, entretanto, sempre foi a música e não a dança. Apesar disso, fazia aulas de dança sozinha orientada pelos professores que vinham de São Paulo, tais como Souza Lima, Eduardo Sucena, Edith Pudelko e Ismael Guiser. Sua intenção era aprender para melhor ensinar.

O Conservatório Carlos Gomes foi a primeira proposta de estrutura física digna para a dança e música em Araraquara. Em 1950 passou a se chamar Conservatório Villa Lobos, o que representou a vontade da professora em dar identidade nova à escola.

Iracema gostava mais de ministrar aulas para crianças pequenas do que para adolescentes. Ela ensinava teoria musical e piano utilizando métodos novos que trazia de São Paulo. Tinha verdadeira compulsão pelo trabalho, além de ser perfeccionista.

Ela transferiu para seus filhos a importância que sempre deu aos estudos.

Da esquerda para direita: o esposo Militino e os cunhados Dr. Ednan e Acendino

Iracema Nogueira morreu em abril de 1997, no hospital Oswaldo Cruz em São Paulo. Seu esposo, Militino Nogueira, faleceu em 28 de agosto do mesmo ano, estando ambos sepultados no Cemitério São Bento, em Araraquara.

SEU NOME ESTÁ NA RUA

Através da Lei n° 5899, de 9 de setembro de 2002, denomina-se Escola Municipal de Dança “Iracema Nogueira” o órgão vinculado à Fundação de Arte e Cultura do Município – Fundart.